Nos meses de janeiro e fevereiro, a mostra “Documento do Mês” será dedicada à Exportação do Bordado Branco da Ilha Terceira.
Os bordados, que fazem parte da tradição insular há séculos, eram uma prática comum no quotidiano feminino. Inicialmente, eram realizados como uma atividade de lazer e uma forma de evitar o ócio, mas também desempenhavam um papel fundamental na produção de bens necessários para o uso familiar.
Foi apenas nos primeiros anos do século XX que começou a organizar-se uma produção orientada para a comercialização e exportação dos bordados da Terceira, sem que, no entanto, perdessem o seu carácter artesanal. Embora o processo continuasse a ser totalmente manual, houve um aumento da procura, o que levou à criação de Casas de Bordados e ao estabelecimento de relações comerciais internacionais. Os bordados passaram, assim, a ser também uma importante fonte de rendimento para muitas famílias, especialmente nas zonas rurais.
O Bordado Branco da Ilha Terceira é especialmente caracterizado pela combinação dos pontos utilizados, sendo o ponto richelieu o principal, junto com os ilhós, o ponto cheio e os caseados. Tradicionalmente, são genuinamente brancos ou crus, e a sua textura, juntamente com os temas vegetalistas e figurativos, confere-lhes um carácter clássico e erudito.
A qualidade do linho, geralmente importado da Bélgica, Checoslováquia, Irlanda e Alemanha, bem como as linhas de bordar e o facto de ser um processo completamente manual, tornam os bordados da Terceira um produto de excelência. Assim, este despertou o interesse de mercados internacionais, como os Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Inglaterra.
Mais tarde, o bordado passou a ser também utilizado na promoção turística da Região.
Esta iniciativa conta com a colaboração da empresa Bordado dos Açores.