Governo dos Açores - Secretaria Regional da Educação, Ciência e Cultura - Direção Regional da Cultura

Afonso, João Dias

(J. Dias A.) [N. Angra do Heroísmo, 27.08.1923] Escritor e jornalista. Técnico superior principal de bibliotecas e arquivos. Foi director da Biblioteca Municipal de Angra do Heroísmo e depois funcionário superior da Biblioteca Pública e Arquivo da mesma cidade. Entretanto fez estudos históricos sobre baleação e museologia, com estágios nos EUA (Nova Inglaterra e Califórnia) e no Reino Unido. Deve-se-lhe a organização do museu etno-histórico dos Baleeiros dos Açores, nas Lajes do Pico.

Na biblioteca de Angra, a que esteve ligado longos anos, bem como noutros arquivos nacionais e estrangeiros, tem realizado aturadas pesquisas no âmbito da história dos Açores (Açores em Novos Papéis Velhos, ed. do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1980) e da etnografia histórica açoriana (O Traje nos Açores, id., 1978, 2.ª ed. 1987) e procedido a um inventário exaustivo da bibliografia açoriana (Bibliografia Geral dos Açores, ed. Secretaria Regional da Educação e Cultura, em publicação). A sua longa carreira de jornalista está ligada, principalmente, aos jornais de Angra do Heroísmo Diário Insular e A União, no primeiro dos quais coordenou uma notável página de «Artes e Letras» durante 30 anos, de 1946 a 1978, apenas com uma interrupção entre 1959 e 1961, durante a qual foi redactor da antiga Agência Nacional de Informação, em Lisboa. Tem feito conferências e participado em diversos congressos no país e no estrangeiro. Algumas das suas conferências foram proferidas em universidades norte-americanas, como Harvard, Brown, Arlington, Honolulu, etc.

Como poeta, surge no âmbito do modernismo insular de meados do século com uma poesia em que se reconhece um pouco o torneio da frase nemesiana, mas cuja genuinidade o próprio Nemésio foi o primeiro a acentuar, sublinhando a «vaga fluidez» da sua expressão, a qual «lhe permite conseguir às vezes admiráveis efeitos de simplicidade e pureza». Em alguns poemas publicados na imprensa periódica usou o pseudónimo de Álvaro Orey.

Publicou três opúsculos de poesia intitulados Enotesco, Angra do Heroísmo, s.d. [1955], Pássaro Pedinte e Ruas Dispersas (com prefácio de Vitorino Nemésio), Lisboa, 1960, e Cantigas do Terramoto para Ler e Passar, Angra do Heroísmo, 1980, bem como numerosos ensaios e estudos sobre temas de história, literatura e etnografia dos Açores, de que destacamos - além dos citados e de muitos outros dispersos ou publicados em opúsculo - Garrett e a Ilha Terceira, ed. da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, 1954; Antero de Quental e o Pensamento da Revolução Nacional, Lisboa, 1967; Açores de Outrora na Ilha Terceira Daqueles Tempos, ed. Inst. Açoriano de Cultura, 1978; Memoração Ribeiriana (sobre Luís da Silva Ribeiro), ed. Inst. Histórico da Ilha Terceira, 1982; Notabilidade de Dacosta, Angra do Heroísmo, 1983; O Galeão de Malaca no Porto de Angra em 1659: Um Processo Judicial - Linschoten, ed. Inst. Histórico da Ilha Terceira, 1984; Baleias e Baleeiros - Açorianos nos Sete Mares e Ancorados nas Suas Ilhas, Angra do Heroísmo, 1988. Organizou, anotou e prefaciou: Luís Ribeiro, Subsídios para Um Ensaio sobre a Açorianidade, Angra do Heroísmo, colecção «Ínsula», 1964; id., Obras, 3 vols., ed. Inst. Histórico da Ilha Terceira / Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1982-1983. Eduíno de Jesus (1998)