Governo dos Açores - Secretaria Regional da Educação, Ciência e Cultura - Direção Regional da Cultura

Dias, Francisco Coelho Maduro

 [N. Angra do Heroísmo, 12.2.1904 ? m. 21.12.1986] Pintor, escultor, desenhador, decorador e poeta. Desenvolveu uma apurada sensibilidade artística em Lisboa, aquando da preparação do Pavilhão Português para a Exposição de Sevilha (1929). Para o desenvolver da sua sensibilidade artística não lhe foi indiferente o conjunto de sugestões e o ambiente à volta de Armando Lucena, Abel Manta, Jorge Barradas, Diogo de Macedo. Os anos determinantes da sua geração implicaram algumas discussões e mesmo rupturas. Regressou à ilha Terceira, terra natal, realizou o empedrado da Praça da Restauração (1930), planeou a Urbanização do Largo Prior do Crato (Angra do Heroísmo), tendo executado o respectivo monumento. Outros executou, como uma Memória da Restauração de 1640 (Praia da Vitória), o monumento ao historiador Francisco Ferreira Drummond (na vila de S. Sebastião), uma memória-abrigo no Pico de Matias Simão (nos Altares, ilha Terceira). Executou e decorou a ?Exposição do Emigrante? da Junta Geral (Angra do Heroísmo), tendo pintado quadros para o Salão Nobre da mesma Junta Geral de Angra do Heroísmo (destaque-se o ?Sonho do Infante?), para o Governo Civil do então existente distrito do mesmo nome (hoje Palácio dos Capitães Generais) e fez alguns trabalhos para o Hotel de Angra e para vários particulares. Consciente da correlação das Artes e voltado também para a expressão verbal, Francisco M. Dias escreveu contos (de tónica regionalista) e poesia. Um certo tímido sentido de recato da vida intelectual e a fraca projecção que então tinham os artistas fora do arquipélago talvez tenham impedido um maior conhecimento da sua obra. F. M. Dias pertenceu à geração fundadora do Instituto Histórico da Ilha Terceira, com o qual colaborou (lembre-se o papel fundador de Luís da Silva Ribeiro). F. M. Dias colaborou, nas possibilidades de enquadramento do meio, em muitas actividades, por exemplo como cenógrafo, como desenhador e decorador (orfeões, operetas e diversas sociedades recreativas), sendo de destacar a colaboração prestada à opereta regional Água Corrente. Ainda nos fins da década de 70 a primeiros anos da década de 80, F. M. Dias foi convidado a desenvolver ensino artístico no destacamento americano da Base das Lajes (Clube de Oficiais, onde se realizaram várias exposições), o que denota a sua vocação para um certo magistério artístico que nunca o abandonou. A uma fina ironia na convivência e na poesia de acento popular, acrescentamos, também na poesia, uma tónica religiosa. António Machado Pires (Mar.2003)

Obras Principais: (1921), Quadras para o Povo. Angra do Heroísmo, Ed. Andrade. (1929), Em Nome de Deus Começo... Angra do Heroísmo, Tip Andrade, [em colab. com Correia de Melo]. (1941), Dez Sonetilhos de Enlevo. Angra do Heroísmo, Liv. Ed. Andrade. (1941), Sonetos de Esperança e de Sonho. Angra do Heroísmo, Liv. Ed. Andrade. (1963), Vejo Sempre Mar em Roda. Angra do Heroísmo, ed. do autor. (1985), Melodia Íntima e Poemas de Eiramá. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura [col. Gaivota, n.° 45].

 

Bibl. Pamplona, F. (1987), Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses ou que trabalharam em Portugal. Porto, Ed. Civilização, III. Carvalho, R. G. (ed.) (1979), Antologia Poética dos Açores. Ponta Delgada, Secretaria Regional de Educação e Cultura.