Governo dos Açores - Secretaria Regional da Educação, Ciência e Cultura - Direção Regional da Cultura

alfenim

s. 1 Guloseima tradicional da ilha Terceira, confeccionada simplesmente com água, vinagre e açúcar. A sua confecção, cujo segredo reside no ponto, faz-se da seguinte maneira: para meio quilo de açúcar, a água suficiente para cobrir e uma colher de sobremesa de vinagre forte de bom vinho branco. Põe-se o açúcar com o mais ao lume num tacho a ferver até tomar ponto bem alto, o que se conhece tirando uma gota com uma colher para dentro de uma chávena com água fria. Se, ao cair, faz um pequeno ruído no fundo de recipiente e se tira com a mão, estando duro, atingiu o ponto preciso. Num tacho de cobre, dos que servem para fazer doce de fruta, untado com manteiga, deita-se-lhe a massa sem mexer e deixa-se escorrer bem. Este tacho é colocado, previamente, dentro de um alguidar com água fria, para que o conteúdo vá arrefecendo; depois, com a ponta de uma faca, vão-se virando os bordos da massa para o centro, enquanto se não pode pegar a massa com as mãos; logo que tal seja possível, puxa-se a massa de modo a fazer uma meada. Quando está branca e um pouco dura, dá-se-lhe a forma que se quer - pombas, flores, rosquilhas, etc. É necessário ter cuidado em não mexer o açúcar com colher, enquanto toma o ponto e, ao virar a massa com a faca, nunca tocar com esta no meio. Com esta massa confeccionam-se diferentes figuras, tais como partes do corpo humano ou animais, frequentemente utilizadas para pagamento de promessas. Augusto Gomes (Nov.1995)

2 Nome pelo qual são conhecidas na ilha do Faial as plantas da família das Iridáceas pertencentes à espécie Ixia paniculata. Palhinha (1966) indica dois nomes atribuídos às plantas desta espécie: jacinto, na ilha do Pico, e palmito, nas duas ilhas, que também é usada para Gladiolus italicus e outras Iridáceas. Ixia paniculata é constituída por ervas perenes, de lobo sólido, subgloboso e revestido por túnicas finamente fibrosas, de caules desde 30 a 100 cm longos, ramosos, de folhas alternas, sésseis e longamente amplexicaules, sendo as superiores 2 a 6, lineares e erectas, as superiores pouco menores e menos longas, de inflorescências especiformes 5-18 floras, de numerosas brácteas escariosas e castanho-claras, de flores amarelado-claras, com os segmentos variegados de tubo bipartido, recto, delgado, extensamente tubuloso, afunilado no cimo, de perianto actinomorfo, campanulado com segmentos iguais, oblongos, obtusos ou emarginados, de estames livres, rectos e menores que os segmentos do perianto e de fruto pseudocapsular pequeno. Cultivada como ornamental, fugida da cultura mas bem naturalizada em prados. Aparece em tais condições nas ilhas do Faial, do Pico e da Terceira (Franco e Rocha Afonso, 1994). É originária da África do Sul. Talvez seja de introdução antiga, nos Açores, como cultivada, mas como naturalizada apenas nas ilhas do Faial e do Pico. Palhinha (1966) é o primeiro botânico a referi-la. José Ormonde (Mai.1996)

Bibl. Franco, J. A. e Rocha-Afonso, M. L. (1994), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. III, 5: Alismataceae-Iridaceae. Lisboa, Liv. Escolar Ed. Palhinha, R. T. (1960), Catálogo de Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves.