Governo dos Açores - Secretaria Regional da Educação, Ciência e Cultura - Direção Regional da Cultura

Silva, Francisco Jerónimo da

[N. Sé, Angra do Heroísmo, 30.9.1806 ? m. Lisboa, 2.11.1871] Advogado. Realizou em Angra os estudos indispensáveis para se matricular na Universidade de Coimbra, em 1825. Concluiu a formatura em Cânones e Leis em 1831. As suas convicções políticas condicionaram-lhe a sua actividade ao longo dos anos. Nascido no seio de uma família legitimista, manteve essas convicções. Em 1828 ainda estudante, rebentou em Angra uma revolução que proclamou os direitos de D. Maria II e todo esse período agitado fez com que deixasse de receber a mesada. Por intervenção de D. Miguel, foi-lhe paga pela Intendência o abono que costumava receber, bem como a todos os que estiveram nessas condições. Este facto, tornou-o ainda um maior defensor do miguelismo. Iniciou a vida profissional como professor de história, em Braga, tendo sido nomeado juiz de fora, em Ponte de Lima, em 1834, por poucos dias, pois foi obrigado a refugiar-se na Galiza, devido à agitação política. Como não desejava aceitar qualquer tipo de emprego público do governo constitucional, decidiu abrir banca de advogado no Porto. Rapidamente a sua fama correu por toda a cidade, tornando-se famoso pelas suas capacidades de orador, pela sua frontalidade e profundidade dos seus conhecimentos. Sustentou várias causas polémicas com juízes que lhe aumentaram a notoriedade. Manteve sempre uma actividade política, com destaque para o período de combate ao governo de Costa Cabral. No periódico Coalisão, escreveu vários artigos que lhe valeram a prisão por vinte dias. Em 1851, no regresso de uma viagem à Terceira, resolveu ficar em Lisboa, para descansar e estudar Paleografia. Deste modo, acabou por se estabelecer na capital, alcançando a fama de eminente causídico que já granjeara no Porto. Continuou a recusar lugares ligados ao funcionalismo público, como também o lugar de deputado que várias vezes tentaram impor-lhe. Para além dos primorosos trabalhos forenses que foram impressos em folhetos, Jerónimo da Silva, foi também um estudioso literário. Lia nas línguas originais obras da literatura latina, francesa, inglesa, italiana, grega e alemã. Por todo o seu trabalho foi considerado um dos mais notáveis advogados portugueses da primeira metade do século XIX. Doou à Câmara Municipal de Angra a sua valiosa biblioteca, com cerca de quatro mil volumes e os seus restos mortais foram trasladados para o cemitério do Livramento, em Angra. Deixou um depoimento sobre o período das lutas liberais, uma visão de um legitimista, que foi divulgado no *Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. X. Carlos Enes

Bibl. Ribeiro, L. (1983), O advogado Francisco Jerónimo da Silva, in Luís da Silva Ribeiro, Obras II ? História. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira/Secretaria Regional da Educação e Cultura: 129-146.