Nos meses de maio e junho, a mostra “Documento do Mês” abordará a história de Maria Vieira, uma jovem natural da freguesia de S. Sebastião, ilha Terceira.
Maria Vieira da Silva nasceu a 11 de novembro de 1926 na freguesia de São Sebastião, filha de Júlio de Sousa da Silva e de Isabel Vieira Leal. Como todas as meninas da sua idade, foi à escola, ajudava os pais e cuidava dos irmãos mais novos. Vivia uma vida pacata, num sítio aparentemente pacífico, sem se preocupar com os perigos que existiam ao virar da esquina.
Foi a 4 de junho de 1940, num dia que amanheceu como todos os outros, que o pior viria a acontecer. Maria e a irmã Lídia, de apenas 4 anos de idade, dirigiam-se ao local do “Pico dos Cornos” para levar o almoço ao pai, que se encontrava a trabalhar num cerrado lá perto, quando foram sobressaltadas por José Caetano do Canto, mais conhecido por “José Quinteiro”, que, com intenções nefastas, tentou, sem sucesso, molestar a inocente Maria. Ao não conseguir o que queria, feriu-a com a enxada de serviço que tinha na mão. Lídia, aterrorizada após assistir a tudo, correu ao encontro do pai.
Mas o mal já estava feito, e Maria Vieira, no auge dos seus 13 anos de idade, não resistiu aos ferimentos causados pelas mãos de quem lhe queria tirar a virtude. Faleceu no dia seguinte, a 5 de junho, no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, sendo o malfeitor condenado pelo seu crime.
A 25 de fevereiro de 2025, foi entregue no Vaticano o processo diocesano para a canonização de Maria Vieira, processo este que teve início em 2007, com uma petição dos fiéis à Diocese de Angra.
A Divisão de Arquivo da BPARLSR convida todos os interessados a visitarem a mostra “Documento do Mês”, no ano do centenário do nascimento desta “mártir da Terceira”, onde se pode verificar um pouco da história da menina que perdoou o criminoso que lhe condenara a vida.