Governo dos Açores - Secretaria Regional da Educação, Ciência e Cultura - Direção Regional da Cultura


BPARPD | Documento do mês | janeiro 2022

  • Divulgação Institucional/Institutional Release
  • Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada
  • 2022-01-01 até 2022-01-31

Um dos aspetos aliciantes na consulta de um arquivo é a multiplicidade de documentos distintos que o compõem, seja em formatos, tipologias ou mesmo conteúdos.

O documento que aqui se apresenta suscita interesse, tanto pelo seu conteúdo informativo, como pelo seu aspeto estético. Tratando-se de uma das muitas ações de 100$00 (cem escudos insulanos), que constituíram o capital social inicial da empresa Carregadores Açorianos, num total de 2150 contos insulanos, serve de testemunho da história desta empresa e, simultaneamente, da excelência artística de um dos mais conceituados pintores açorianos do século XX. Com efeito, uma observação atenta permite constatar que se trata de uma ilustração de Domingos Rebelo, representando a doca de Ponta Delgada e duas vistas da cidade, nos medalhões inferiores.

O porto de Ponta Delgada tinha de estar obrigatoriamente representado nas ações da recém-criada companhia de navegação, constituída por escritura pública de 15 de março 1920 e designada Carregadores Açoreanos, visto o seu objetivo primordial ser o da constituição de uma frota que assegurasse o transporte do ananás micaelense para os mercados de Londres e portos do Norte da Europa. Produto que, no primeiro quartel do século XX, se torna na principal exportação micaelense, por iniciativa da Sociedade Corretora.

Na verdade, é a Sociedade Corretora Limitada, constituída em 22 de agosto de 1913, com designação inicial de Sociedade Corretora de Ananases, a principal responsável pela criação da Companhia Carregadores Açoreanos e a sua mais importante acionista, com 34% do capital inicial. Não é, pois, de estranhar, que um dos administradores fosse Cristiano Frazão Pacheco, diretor-delegado da Corretora, como se verifica numa das assinaturas deste documento.

A empresa floresce nos conturbados anos de entre guerras, mas desde o final da Segunda Guerra Mundial começa a sentir dificuldades em fazer frente à concorrência internacional. Entretanto, com o encerramento dos portos do Norte da Europa, durante a guerra, a costa leste americana tornara-se o destino privilegiado da companhia, tendo a dimensão dos lucros obtidos nesta rota permitido a construção do Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, como forma de aplicação social desses lucros (*).

É absorvida, em 1972, pela Empresa Insulana de Navegação (EIN), constituída em 1871, no seio da empresa micaelense Bensaúde & C.ia, e que operava uma carreira regular entre os Açores, Lisboa e a Madeira. Em fevereiro de 1974, a EIN fundiu-se com a Companhia Colonial de Navegação, formando a Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos (CTM), a qual desenvolveu a sua atividade até ser extinta em 1985, tendo, entretanto, sido nacionalizada, após a revolução de 25 de Abril de 1974.

A totalidade da documentação destas empresas, que se encontrava em Ponta Delgada, foi incorporada no Arquivo Regional de Ponta Delgada, por entrega da Transinsular, no início da década de 1980. Infelizmente, essa incorporação decorreu sem quaisquer critérios de organização que permitam, por enquanto, distinguir os arquivos das três empresas, integrados num conjunto de 330 metros lineares, a que foi dada a designação de Arquivo da Companhia de Transportes Marítimos. (**)

Embora ainda a aguardar tratamento técnico, a importância desta documentação é inquestionável e, por isso, aqui lembrada.

Quanto a outros elementos informativos deste documento, constata-se que a ação foi vendida a José de Sousa Oliveira, na mesma data de emissão do título, passou, depois, a sua filha, Hermínia de Sousa da Silveira (1931), e, em seguida, a Augusto de Ataíde (1943), que a vendeu, em 1944, à própria companhia de navegação.

 

(*) – Para mais informação, veja-se, por exemplo:

DIAS, Fátima Sequeira – Carregadores Açoreanos. 2001.

[Disponível em linha: http://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/pesquisa/Default.aspx?id=1391].

(**) – A sua descrição, muito sucinta, pode ser vista na base de dados deste Arquivo Regional, em

https://arquivos.azores.gov.pt/details?id=1014732&ht=PT/BPARPD/%20EMP/CTM.

Também o Arquivo Nacional da Torre do Tombo detém um considerável acervo que reúne produção documental destas mesmas empresas, com descrição acessível em https://digitarq.arquivos.pt/details?id=4166360.

 

Veja o documento em:

https://bparpd.azores.gov.pt/livros_mes/

 

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