Governo dos Açores - Secretaria Regional da Educação, Ciência e Cultura - Direção Regional da Cultura

Lemos, José António Azevedo

[N. Santa Maria de Vilar, comarca do Porto, 1789 ? m. ?, 16.2.1870] Assentou praça em soldado a 21 de Dezembro de 1808 sendo promovido a sargento ajudante em 1811 e sucessivamente a alferes, em 1813; tenente do exército do Brasil, em 1815; capitão ajudante de ordens do conde Barbacena (decreto de 6 de Junho de 1815); major, graduado, em 1817, e efectivo, 1818; tenente-coronel, graduado, em 1819, e efectivo, em 1820, passando a coronel graduado ainda nesse ano e a efectivo a 27 de Junho de 1828; brigadeiro graduado, em 1831, e efectivo em 1833. Tinha formação clássica de latim e aprendera o francês. Estudou matemática e fortificação com destino a engenharia militar, completando-o com geografia e desenho militar.

Distinguiu-se na Guerra Peninsular desde 1810 até 1814, primeiro no corpo de Cavalaria 10 (1810-1812) e posteriormente em Infantaria 4, sendo promovido a oficial por distinção na batalha dos Pirinéus, em 1813.

Passou então ao Exército do Brasil, onde serviu na expedição contra os rebeldes de Pernambuco, em 1817, e nas campanhas de 1819 e 1820 na província de S. Pedro do Sul, sendo ajudante de ordens do capitão-general. Foi nessa época promovido a major e a tenente-coronel, por distinção.

Regressado a Portugal, passou ao Estado Maior, comandou a Polícia do Porto entre 4 de Agosto de 1823 e 15 de Maio de 1824, mas foi demitido por ordem do então ministro assistente do despacho, conde de Subserra, acusado de preparar o corpo militar que comandava para aderir à revolta do Infante D. Miguel. Foi julgado e absolvido, mas mesmo assim ficou desligado de serviço só voltando a ele com o regresso de D. Miguel, sendo despachado comandante do Regimento de Infantaria de Lisboa em 1828.

Foi escolhido para comandar as tropas da expedição contra os liberais, à Madeira e aos Açores (6 de Agosto de 1828 a 7 de Setembro de 1829) transportadas na armada comandada pelo almirante José Joaquim da Rosa *Coelho. Nessa expedição foi de facto conquistada a Madeira, mas nos Açores a expedição foi derrotada na Praia, na ilha Terceira, a 11 de Agosto de 1829, não conseguindo desembarcar. Esta vitória tornou-se no símbolo liberal por excelência e teve imensas repercussões políticas. Os seus chefes foram acusados e acusaram-se entre si de traição, negligência e cobardia, o que levou Azevedo Lemos, em 9 de Setembro de 1829, a pedir para ser julgado em Conselho de Guerra para provar as diligências e os esforços que usara e para limpar a sua honra e poder continuar ao serviço do rei.

Foi de facto ilibado de qualquer culpa, voltou a comandar a Infantaria de Lisboa e foi promovido a brigadeiro.

Com a derrota dos absolutistas, acompanhou D. Miguel ao exílio, depois da Convenção de Évora Monte, só regressando a Portugal, vindo de Itália, em 1848, e ficando então abrangido pela amnistia. J. G. Reis Leite

Fontes. Arquivo Histórico Militar (Lisboa), cx. 804.

 

Bibl. Drumonmd, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira. 2.ª ed., Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura, IV: 209-258.