[N. ilha de S. Jorge, ? ? m. Angra, 2.4.1663] Estabeleceu-se na Terceira no primeiro quartel do século XVII onde viveu casado com Maria Rebelo, herdeira de vários bens vinculados. Pertenceu à pequena nobreza, foi capitão de ordenanças, sargento-mor na Praia e em Angra, vereador e procurador da câmara (1659).
Distinguiu-se na guerra da Restauração onde prestou relevantes serviços e se notabilizou principalmente numa acção destemida contra uma fragata castelhana que trazia socorros aos espanhóis cercados no Castelo, em 1641 e posteriormente nas trincheiras do cerco. Por estes sucessos foi agraciado, em Março de 1643, com o hábito de S. Bento de Avis e uma tença de 30.000 réis. Desempenhou também o ofício de tabelião do público e judicial, que o rei lhe confirmou em 17 de Janeiro de 1645.
Quando os franciscanos pretenderam criar uma província da sua ordem nas ilhas dos Açores foi necessário criar os conventos dos recolectos, obrigatórios nessa estrutura. O de Angra, de invocação de Santo António, foi fundado em 1643 pelo provincial Frei Mateus da *Conceição e para esse fim Roque de Figueiredo e sua mulher doaram a ermida de S. Roque, que foi um dos bens herdados pelo casal. Era sua intenção ser também o padroeiro, mas cedeu o padroado ao capitão João de *Ávila. Ambos fizeram seus mausoléus na nova igreja. J. G. Reis Leite
Bibl. Chagas, D., «Relação do que aconteceu na cidade de Angra depois da feliz ordenação de el-rei D. João IV...» in Arquivo dos Açores (1982). Ponta Delgada, Universidade dos Açores, X: 209 e segs. Drumond, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira. 2.a ed., Angra da Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura, II: 77 e segs. Soares, E. C. C. A. (1944), Nobiliário da Ilha Terceira. 2.a ed., Porto, Emp. Diario do Porto, II: 36.